Home
Notícias
Principais Serviços
Comunidades
Dicas de Currículo
Dicas de Entrevista
Dicas de Filmes
MBA Pessoas
Questionários
Palestras
Artigos
O menestrel dos comportamentos
A pessoa certa no lugar certo
A auto-imagem dos profissionais brasileiros, uma questão cultural
E o que farei com os próximos 45 anos da minha vida?
O empreendedorismo é uma alternativa para o desemprego?
O empreendedorismo e os profissionais Maiores de 40
A gestão do conhecimento como fonte de vantagem competitiva
A discriminação e o mercado de trabalho para profissionais Maiores de 40 anos
Papel das pessoas no planejamento
A auto-estima dos profissionais brasileiros
Por que o emprego foge  de você?
Liderança Contemporânea e o Sexo Frágil
Currículo ML
Principais Clientes
Casos
Dissertação
Doutorado


Papel das Pessoas no Planejamento de Carreia

Programa de Doutorado da Universidade Fumec

Autor: DUTRA, Joel de Souza. Administração de Carreiras – uma proposta para repensar a gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 1996  

Professora Drª: Zélia Miranda Kilimnik Aluna: Maria Lúcia Rodrigues Corrêa  

Resenha  

O autor explica que há certa resistência das pessoas em planejar suas carreiras por considerarem esta ação como algo dado por terceiros e por nunca terem sido estimulados para fazê-lo. Este quadro sofreu alterações na década de 80 em virtude do movimento dos baby-boomers, o achatamento das estruturas organizacionais e pela influência dos casais que fizeram carreiras juntos influenciando em seus objetivos pessoais e profissionais. Neste sentido, Hall (1986) observou um comportamento mais seletivo das pessoas em relação às suas carreiras. No Brasil a resistência ao planejamento de suas carreiras individuais ainda é muito grande, pois ainda se mobilizam mais por apelos externos como, remuneração, status, prestígio, do que por preferências pessoais. Observa-se também que em momentos de crise há uma maior preocupação com o planejamento de carreiras, por meio de métodos como coaching, mentoring, propósito de vida, etc.

As empresas também estão cada vez mais preocupadas em estimular as pessoas para fazerem seu planejamento de vida, devido ao fato de que isto impacta em sua competitividade, pois as pessoas adotam posturas mais inovadoras e empreendedoras e se tornam mais preocupadas com seu autodesenvolvimento. O mercado também tem contribuído para que as pessoas assumam o direcionamento de suas carreiras, em virtude da pressão da concorrência devido ao aumento da diversificação das oportunidades profissionais, o estímulo ao auto-emprego, e maior valorização ao autodesenvolvimento estimulando as pessoas a competirem consigo próprias. Este mercado exige que as pessoas olhem para dentro de si, em busca de identificar o que as satisfaz e estimula.

O autor evidencia que as decisões sobre carreira não se resumem a momentos episódicos em nossas vidas; somos permanentemente confrontados com as mudanças no ambiente a nossa volta e com mudanças em nós mesmos. O autor destaca que um modelo para planejamento de carreiras tem como principais objetivos: Desenvolvimento de um espírito crítico; Estímulo e suporte a um processo de auto-avaliação; Estrutura para reflexão das pessoas sobre sua realidade pessoal e profissional; Disponibilização de ferramentas para desenvolvimento de objetivos de carreira. London e Stumplh (1982) explicam que o planejamento de carreiras depende de três fatores de responsabilidade da pessoa: auto-avaliação; estabelecimento de objetivos de carreira e implementação do plano de carreira. Existem muitas ferramentas que contribuem com este processo como, manuais de autopreenchimento; worshops para planejamento de carreira e suporte de consultores especializados. Os autores discutem que o planejamento de carreira no contexto da organização propõem processos compartilhados em que as expectativas individuais de carreiras são negociadas com as necessidades organizacionais e colocam a empresa como pólo dinâmico da revisão de administração de carreiras.

Para Rotwell e Kazanas (1988) um processo de planejamento de carreira deve ser composto de sete passos: 1º passo – clarificação da identidade individual;2º passo – avaliação de pontos fortes e fracos da carreira;3º passo – análise do ambiente; 4º passo – identificação de estratégias de carreira e seu alcance; 5º passo – seleção de objetivos de carreira; 6º passo – implementação da estratégia de carreira; 7º passo – avaliação de resultados das estratégias de carreira.  

A escolha da carreira tem sido pesquisada há muitos anos em vários campos das ciências sociais e Hall (1976) e Van Maanem (1977) foram grandes estudiosos nesta área. Suas teorias podem ser agrupadas em duas categorias: Compatibilidade – entre a pessoa e a ocupação escolhida; Processo de escolha – como chegar à escolha de sua ocupação. A compatibilidade de uma carreira pode ser explicada por quatro características pessoais: interesse, identidade, personalidade e experiência social e dá maior ênfase a explicações sobre o que influencia a escolha da carreira. Para Ginzberg (1951) o processo de escolha de uma carreira ocorre em três fases: Estágio da fantasia – até os 11 anos de idade; Estágio das escolhas tentativas – entre 11 e 16 anos de idade; Estágio das escolhas realistas – a partir dos 17 anos e ocorre em três períodos: exploratório, cristalização e especificação. Durante a vida adulta a pessoa pode ter vários ciclos com o objetivo de encontrar a carreira que melhor se adapte às suas necessidades, interesses e habilidades e este processo pode arrastar-se pelos próximos anos para aquelas pessoas que continuam investindo em seu processo educacional. Uma escolha definitiva pode ocorrer por volta dos 40, na chamada crise da “meia-idade”.

Super (1957) aponta cinco estágios de vida que tendem a ser catalogados neste tipo de análise: infância (até 14 anos), adolescência (15 a 24 anos), idade adulta (25 a 44 anos), maturidade (45 a 64 anos) e velhice (após 64 anos). O autor evidencia que o comportamento das pessoas em relação à suas carreiras depende de sua condição socioeconômica, raça, sexo, nível de inteligência, etc.

Schein (1978) encara a questão da carreira como um processo de desenvolvimento da pessoa como um ser integral e devem ser pensadas como inseridas num mundo em que enfrentam múltiplas pressões e problemas. Na sociedade ocidental os problemas podem ser agrupados em três categorias: Pressões de problemas decorrentes do processo biológico; Problemas decorrentes das relações familiares; Problemas decorrentes ao trabalho ou à construção de carreiras. Podemos identificar que conforme os diferentes momentos da vida a pessoas recebem diferentes conjuntos de pressões. Outro aspecto abordado pelo autor refere-se ao aumento da expectativa de vida das pessoas graças aos avanços da medicina e esta tendência importante influencia decisivamente em nossas vidas e na construção de expectativas e projetos.

Esta reflexão sobre tendências nos oferece munição para pensarmos com mais clareza sobre nossas possibilidades de desenvolvimento, pois o ápice da carreira não será mais aos 40 anos de idade e as pessoas em geral não têm mais como objetivo final de vida o ócio. O autor também destaca a tendência para redução da oferta de empregos e um aumento da exigência sobre as pessoas como fruto do aumento da complexidade organizacional e tecnológica das empresas. Como conseqüência as pessoas estão entrando na vida profissional mais tarde e investindo fortemente em sua formação. Este movimento gera algumas mudanças observadas em países desenvolvidos: Ingresso mais tarde na carreira profissional e alongamento do tempo de estudos; A emancipação econômica dos jovens é postergada, obrigando-os a uma permanência mais longa na casa dos pais; As pessoas, em função dos dois fatores anteriores, estão casando-se mais tarde, buscando primeiro consolidação de suas carreiras.   O autor destaca outro aspecto fundamental no planejamento de carreiras que são as “Âncoras de Carreira”.  Trata-se de elementos da nossa realidade que irão determinar nossas preferências por determinada ocupação, carreira, empresa ou oportunidade. Schein (1978) estudou estas preferências classificando-as em: Competência gerencial; Competência técnica ou funcional; Segurança e estabilidade; Estilo de vida integrado; Autonomia e independência; Desafio constante; Criatividade; Senso de serviço e dedicação à causa.

As categorias criadas por Schein (1978) demonstram que as pessoas têm diferentes preferências e que isto é absolutamente humano e natural.

Em síntese, espera-se que as pessoas tornem-se cada vez mais zelosas de suas carreiras procurando aliar seus interesses com os objetivos das organizações. Para isto será necessário refletir cada vez mais sobre o papel das empresas na administração de carreiras.