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O tema liderança vem suscitando nas pessoas e organizações uma busca por seu entendimento, tendo em vista a necessidade de se canalizar o poder da informação para se atingir resultados de forma objetiva.

O sucesso de uma organização depende da eficácia da gestão e cada vez mais teremos que aprender sobre as pessoas, pois são elas que detêm o poder formal e informal.

Mas o processo de interações pessoais envolve aspectos sutis e, em sua maioria, difíceis de serem captados e decodificados. Surge o discurso, até então teórico e pouco prático, que o grande diferencial das empresas e /ou instituições são, as pessoas.

Atrair e reter pessoas competentes, comprometidas, motivadas, eficazes e todos os demais adjetivos, tornou-se um grande desafio. E como lidar com a principal parte da máquina organizacional, as pessoas, pois nem se trata de uma ciência exata? Como lidar com suas fragilidades, sensibilidades e necessidades?

Fica evidenciada a necessidade de se adotar uma política de gestão em que seu modelo tenha como objetivos procedimentos que favoreçam o desempenho do todo. Nunca se falou tanto em valores humanos, espiritualidade, sentimentos, habilidades interpessoais, como padrões de comportamentos diferenciados das instituições competitivas.

Precisamos entender de pessoas e do que se passa em suas cabeças. É necessário compreender como se processam as relações e o que realmente significa o conceito de trabalho em equipe, visando à busca do verdadeiro diálogo e assim obter dos indivíduos a essência de seus resultados.

Segundo o autor Daniel Goleman (2002), o segredo da liderança reside na competência para lidar consigo mesmo e com os seus relacionamentos, o que certamente constitui um enorme desafio para os líderes atuais. Todavia, habituados a perceber o trabalho como “um castigo” os indivíduos em geral, ignoram a importância do autoconhecimento.

Goleman (2002) afirma ainda que “a presença reconfortante de outra pessoa não só reduz a pressão arterial como restringe a secreção de ácidos graxos que bloqueiam as artérias”. Pode-se, portanto, supor o grau de perturbação que gerentes com baixa inteligência emocional causam nos membros de suas equipes. Pode-se deduzir que chefes inadequados baixam a qualidade de vida das pessoas, provocando danos à saúde.  É nesse sentido que a liderança feminina vem ocupando o seu espaço.  Trata-se, na verdade, de aprender a lidar de forma efetiva com as emoções, a sensibilidade e a intuição.  Líderes que parecem não ter tempo para conversas importantes e não desenvolvem um relacionamento transparente, desconhecem o que realmente acontece na organização e o que as pessoas pensam sobre a realidade empresarial. E este silêncio pode ter um preço muito alto.

Neste contexto as mulheres revelam habilidades quase que genéticas de compreensão dos processos das relações que favorecem o seu desempenho enquanto líder. Conseguem, com certa sutileza, estimular as pessoas para liberar seu potencial e expressar suas idéias proporcionando um ambiente de aprendizado interativo no qual transferem prontamente seu conhecimento.

Líderes precisam perceber se ocorre dissonância entre pessoas e empresas e considerar que o preço dessa desarmonia pode gerar fracasso nas tentativas de mudança, reduzindo o entusiasmo e gerando um clima de obediência cega e ressentimento, que indubitavelmente prejudicam os resultados. As pessoas até comparecem ao trabalho, mas seu coração e mente encontra-se do lado de fora da empresa. O clima organizacional pode ser saudável, desde que os líderes aprendam a prestar atenção às emoções das pessoas e entendam dos relacionamentos interpessoais. E isto não significa que serão todos “bonzinhos”. Ao contrário, em verdadeiros ambientes de transparência há muita discórdia e controvérsia e um dos atributos da liderança é educar sua equipe para transitar neste cenário com maturidade e respeito aos indivíduos. Portanto, para se adotar esta postura é preciso criar oportunidades para a expressão de sentimentos. As pessoas necessitam de espaço para falar de seus sonhos, prazeres e incômodos. Sem isto, é impossível despertar nos indivíduos a motivação intrínseca.

Líderes emocionalmente inteligentes sabem que alinhamento não decorre apenas de dizer à equipe para aonde ir e o que fazer. É preciso estabelecer uma ligação direta com a vida emocional de cada membro da equipe. O alinhamento inclui saber o quanto as pessoas se importam umas com as outras e quanto estão comprometidas com as metas. E esta não é uma tarefa fácil. Por isso a grande maioria dos gestores ainda preferem lidar com máquinas do que com as pessoas.

Líderes sem empatia canalizam as emoções de modo negativo, destruindo as bases emocionais que levam a pessoa a sentir orgulho pelo que faz. E isto não é privilégio da liderança feminina, mas sem dúvida é uma prerrogativa que elas desenvolveram ao longo dos anos, em virtude da condição de se assumir inúmeros papéis, muitas vezes até antagônicos, mas curiosamente complementares e benéficos para o seu desempenho profissional.

Assim, para conjugar comportamento e organização faz-se necessário o entendimento acerca do elemento que promove a ação desta prática, ou seja, o entendimento do indivíduo, do ser humano, da pessoa.

E neste cenário, todos terão que desenvolver o seu “lado feminino”, independente de cor, raça ou gênero. É uma competência requerida do novo século: a habilidade de lidar com pessoas, no intuito de contribuir com a sua felicidade, qualidade de vida e resultados organizacionais, por meio de um movimento sustentável e ético.

 

Maria Lúcia Rodrigues Corrêa

Doutoranda em Administração

20/03/09