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“Já tentei todos estes tipos de emprego da internet. Sempre encaminho meu currículo, mas até agora nada. Estou até vendendo Natura e Avon, pra tentar ganhar uns trocados. Caso seja de seu interesse é só entrar em contato”.

 

Em meu trabalho como Consultora de Carreira sempre deparo com a afirmação acima de um (a) candidato (a) em desespero.

 

Em virtude da alta freqüência destes depoimentos surgiu-me então a indagação: Por que o trabalho foge das pessoas que mais necessitam dele enquanto que para algumas pessoas sempre existem opções e ofertas de emprego?

 

Este questionamento despertou-me o interesse em observar quais atributos uma pessoa empregável revela em comparação com a grande maioria dos “infelizes desempregados”. Após inúmeros depoimentos pude registrar algumas posturas adotadas pelos profissionais bem sucedidos.

 

1-      Estão sempre ajudando o próximo e mesmo se estiverem em dificuldades revelam-se disponíveis e abertos para ouvir e contribuir de alguma forma.

2-      Fazem acontecer e quando não há emprego, criam ou identificam oportunidades em que possam iniciar algum projeto como “Fênix que nasce das cinzas”.

3-      Evitam reclamar.

4-      Cuidam da aparência.

5-      Preservam o seu equilíbrio emocional, a sua auto-estima e a sua autoconfiança, sem fantasias, pois sabem que sucesso corresponde a 99% de trabalho e 1% de sorte.

6-      Estão em permanente reciclagem e se não tiverem recursos financeiros procuram criar condições que favoreçam o seu auto-desenvolvimento e estão sempre atualizados, mesmo que seja por meio de recursos “tupiniquins”.

7-      São humildes e admiram o talento alheio. Possuem “inveja” boa.

8-      São criativas e incansavelmente curiosas.

9-      São intuitivas e sensíveis e aprenderam a ouvir a linguagem do “coração” buscando sempre novas alternativas para velhos problemas.

10-  Nunca desistem! São muito persistentes.

11-  Têm foco. Sabem qual é sua vocação e mesmo se estiverem fora do contexto, conseguem transformar ameaças em oportunidades.

 

Em síntese temos que sair do velho paradigma da “criação de mais empregos”, como o único meio para se viver uma vida digna. O fato de trabalhar em uma empresa não é a única condição possível para se ter tranqüilidade profissional. Para ser um bom profissional não teremos que ter vínculo empregatício. Não no formato que estávamos habituados. É preciso ressignificar o conceito de trabalho.

A sociedade caminha para uma nova ordem mundial em que haverá muito trabalho para pessoas empreendedoras, visionárias, dedicadas e comprometidas e com sólidos valores éticos e morais.

E nesse sentido é reconfortante identificar que há alternativas promissoras mesmo que seja “lá no fundo do túnel”. E com a inventividade do povo brasileiro sempre encontraremos novas alternativas. Basta apenas adotar o atributo da persistência e desenvolver a competência da resiliência, que é “uma capacidade de sair-se bem frente a fatores potencialmente estressores” (Lindström, 2001; Poilpot, 1999; Vanistendael, 1999).

Em síntese, nos novos tempos teremos que desenvolver a habilidade de nos tornarmos resilientes frente aos novos desafios, a fim de responder de forma mais consistente e reagir com flexibilidade e capacidade de recuperação diante de circunstâncias desfavoráveis, por meio de uma postura positiva e perseverante e mantendo um equilíbrio dinâmico durante e após os embates.
 

Maria Lúcia Rodrigues Corrêa é Doutoranda em Administração pela Universidade Fumec, Mestre em Administração pela FCPL e psicóloga pela UFMG com especialização em psicologia organizacional. Trabalhou no SEBRAE como Gerente de Educação e RH, na Embraer como Gerente de Ação Social, na FIEMG como Superintendente de Recursos Humanos, na Mendes Júnior Engenharia como Consultora Interna, na Minas Brasil Seguros e SINDI, como Gerente de Recursos Humanos. Como Consultora, vem atuando nas áreas de Educação Corporativa e Consultoria de Carreira. Como professora ministra disciplinas nos cursos de pós-graduação do programa FGV Management e IBMEC. Atualmente é coordenadora dos cursos de pós-graduação da Faculdade Pitágoras e do MBA em Gestão de Pessoas.