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O EMPREENDEDORISMO E OS PROFISSIONAIS MAIORES DE 40 ANOS.


Maio / 2004

Nos últimos tempos o termo “Empreendedorismo” tornou-se palavra de ordem no vocabulário dos profissionais brasileiros que pretendem assegurar seu espaço no mercado de trabalho. Sem dúvida alguma, a história nos comprova, que a maioria dos projetos bem sucedidos emergiram de experiências de vanguarda de profissionais ousados, que até mesmo por escassez de recursos somente lhe restavam como opção a oportunidade de empreender.

A origem etimológica da palavra “Empreender” vem do latim e significa “imprehendere”, isto é, “pôr em execução”, “tentar empresa laboriosa e difícil”.

Tal lconceito nos remete à reflexão de que todo e qualquer investimento de destaque implica em muita garra e determinação por parte dos envolvidos, pois conforme sua definição, empreender também significa buscar o atingimento de algo trabalhoso e difícil. Todavia, na maioria das vezes, quando se refere ao termo empreendedorismo, cria-se uma imagem de que a assimilação de seus conceitos irá nos conduzir direto ao encontro de soluções mágicas, com relação à infinidade de problemas do cenário organizacional. 
 
Uma outra observação oportuna refere-se ao fato de que devido às peculiaridades da cultura brasileira somos cidadãos muito sociais e, em sua maioria, nos apresentamos de forma mais passiva ao adotar posturas receptivas e cordatas. O interesse por segurança e estabilidade em detrimento de oportunidades audaciosas certamente deve refletir no comportamento empreendedor. Em conseqüência, nossa formação nos conduz a assumir posições mais pacatas que assegurem maior estabilidade. 
 
No entanto, em decorrência das alterações do mercado de trabalho com relação às perspectivas de se obter o modelo convencional de emprego, ocorreu a necessidade de se buscar novas formas de trabalho. O percentual de profissionais que abrem o negócio próprio por falta de opção de se obter um emprego padronizado é muito elevado. Tal condição nos suscita uma reflexão sobre o conceito do empreendedor por necessidade ou por vocação e oportunidade. Evidencia-se um questionamento sobre a possibilidade de se aprender e adotar comportamentos empreendedores. 
 
E de forma dicotômica o perfil do cidadão brasileiro apresenta um alto grau de criatividade o que favorece sua capacidade inventiva. Ter idéias novas e ser capaz de identificar oportunidades de mercado faz parte do repertório de habilidades desenvolvidas pelo profissional brasileiro. O que se observa é uma grande carência de capacitação e treinamento com metodologias e ferramentas adequadas que complemente seu potencial criativo e favoreça a obtenção dos resultados finalísticos. Além disso, há que se considerar que nos últimos anos 97% dos empregos são gerados por micro e pequenas empresas, evidenciando a relevância da iniciativa empreendedora para o estímulo da economia brasileira.  

 
Maria Lúcia Rodrigues Corrêa

Professora, Psicóloga, Consultora Organizacional.