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O EMPREENDEDORISMO É UMA ALTERNATIVA PARA O DESEMPREGO?


Dezembro/2005

Nos últimos tempos o termo ‘empreendedorismo’ tornou-se palavra de ordem no vocabulário dos profissionais brasileiros que pretendem assegurar seu espaço no mercado de trabalho. A história comprova que a maioria das experiências bem-sucedidas emergiram de projetos de vanguarda de profissionais ousados, que até mesmo por escassez de recursos somente lhe restavam como opção a oportunidade de empreender.

A origem etimológica da palavra ‘empreender’ vem do latim e significa “imprehendere”, isto é, “pôr em execução”; “tentar empresa laboriosa e difícil”. Tal conceito nos remete à reflexão de que todo e qualquer investimento de destaque implica em muita garra e determinação por parte dos envolvidos, pois conforme sua definição, empreender também significa buscar o atingimento de algo trabalhoso e difícil. Todavia, na maioria das vezes associa-se a atitude empreendedora ao encontro de soluções mágicas para a infinidade de problemas do cenário organizacional. 

É válido lembrar que devido às peculiaridades da nossa cultura, os cidadãos brasileiros demonstram maior interesse por segurança e estabilidade em detrimento de oportunidades audaciosas. De um modo geral o comportamento empreendedor não é estimulado nas escolas, o que leva os jovens a buscar no mercado de trabalho posições mais sólidas e controláveis. 

No entanto, em decorrência das alterações do mercado profissional e das perspectivas reduzidas de emprego, ocorreu a necessidade de se buscar novas formas de trabalho. O percentual de profissionais que abrem o negócio próprio por falta de opção é muito elevado. Tal realidade suscita à reflexão sobre o genuíno conceito do empreendedorismo. Há que se compreender também os mecanismos que estimulam as empresas nascentes entre as duas variedades de empreendedorismo, se por necessidade, ou por vocação e oportunidade.

De acordo com inúmeras observações, o cidadão brasileiro apresenta um alto grau de criatividade, o que favorece sua capacidade inventiva. Ter idéias inovadoras e ser capaz de identificar oportunidades de mercado faz parte do repertório de suas habilidades. No entanto, um percentual elevado destes profissionais ainda “sonha” com o emprego ideal e em sua grande maioria quando optam por empreender algum negócio o fazem por exclusiva falta de opção, o que é denominado de empreendedorismo por necessidade

Evidencia-se então, o questionamento sobre a possibilidade de se aprender e adotar comportamentos empreendedores. É incontestável que as diferenças culturais devem ser consideradas, ma uma das alternativas para estimular o desenvolvimento do comportamento empreendedor, de forma espontânea e natural, é a implementação de uma disciplina sobre o tema na grade curricular do ensino fundamental e médio. Formar um jovem cidadão é mais fácil que reeducar um adulto que já possui em sua personalidade paradigmas que podem restringir o aprendizado de novas teorias. 

Felizmente, para nosso alívio, o ser humano possui um potencial ilimitado que, independente da idade, sempre poderá assimilar novas informações e internalizar novos conhecimentos. Nos programas de empreendedorismo promovidos pelo Sebrae, o que se observa é uma grande carência de capacitação e treinamento com metodologias e ferramentas adequadas, que complementem o potencial criativo do empreendedor e favoreça a obtenção dos imprescindíveis resultados finalísticos. E o que também se comprova é que independente do motivo que leve o empreendedor a abrir seu próprio negócio a capacitação e o treinamento torna-se condição primordial para se assegurar, no mínimo, sua sobrevivência. 

Conforme pesquisa GEM (2002), mesmo nos países menos empreendedores dezenas de milhares de cidadãos elegem o empreendedorismo como uma alternativa em suas carreiras. Evidenciam que deveria ser de responsabilidade de cada governo encetar um esforço de compreender, ou mesmo de tirar proveito desse tão difundido fenômeno socioeconômico. Explicam que a pesquisa continua a revelar uma relação evidente entre o empreendedorismo e o crescimento das economias locais. Afirmam que em algumas regiões, a efetiva preparação de adultos mediante programas governamentais de educação para o empreendedorismo pode ser particularmente crítico para o progresso econômico de alguns países.

Além disso, ainda conforme a pesquisa GEM (2002), o brasileiro não se mostra apenas como um povo empreendedor, a exemplo de países tradicionalmente visto como tais, mas ele os supera posicionando-se entre os dez maiores empreendedores. 

Na era do conhecimento, cada profissional terá que identificar suas potencialidades para definir com sua vocação e seu sonho, a fim de que possa alinhar sua estratégia pessoal ao negócio da empresa, condição única para assegurar sua perenidade no mercado de trabalho. Aliado a isso é importante ressaltar que, nos últimos anos, no Brasil, 97% dos empregos são gerados por micro e pequenas empresas (GEM 2002), evidenciando a relevância da iniciativa empreendedora para o estímulo da economia brasileira.  

Maria Lúcia Rodrigues Corrêa

Professora, Psicóloga, Consultora Organizacional.