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E O QUE FAREI COM OS PRÓXIMOS QUARENTA ANOS DA MINHA VIDA?

Dezembro / 2003
 
Em minha experiência de quase dois anos trabalhando com pessoas “Maiores de 40 anos”, pude observar alguns fatores relevantes na postura destes profissionais:

Há uma baixa na energia vital. As pessoas já se consideram “velhas” e sem esperança.

São conservadores, resistem a inovações, por ser mais cômodo permanecer fazendo o que sempre estavam habituados a fazer.

Vão desaprendendo o que já aprenderam, revelando maior dificuldade com equipamentos que requerem coordenação motora. Parecem que temem aprender operar fax, computador, scanner, TV, vídeo cassete, gravadores, câmaras filmadoras, etc, ou seja, todo e qualquer equipamento que tenha algum chip instalado. Temem a tecnologia, superestimando as máquinas.

Demonstram-se desorganizados, esquecendo os objetos, deixando as salas desarrumadas, revelando-se pessoas fragilizadas e tolas. Parecem que querem cumprir com a expectativa da sociedade, onde pessoas mais velhas “emburrecem”.

Cuidam pouco da aparência, confirmando que a idade impede uma pessoa de ser atrativa.

Ao observar todos estes comportamentos comecei a questionar-me:

O que fazer para mudar estas posturas das pessoas?

Como incendiá-las de energia novamente? Será mesmo que em uma sociedade jovem não há espaço para os mais velhos?

Felizmente também tive experiências positivas, quando pude comprovar o desempenho de “jovens velhos” que acreditam na vida, recomeçando novamente, sempre e sempre, independente do momento em que se encontram.

Encontrei aqueles que tiveram a liberdade de escolha. De negar o que não desejavam para si e de optar pelo melhor para sua vida profissional, apesar da idade.

Pessoas que vão à luta, apesar dos conflitos e transtornos. Que não temem dizer “Eu não sei, mas posso aprender”. Que não temem o ridículo, pois não têm compromisso com o perfeccionismo. Que se amam e se respeitam e acreditam que merecem novas oportunidades indefinidamente.

Tudo me indica que o problema está mesmo nas crenças pessoais de cada indivíduo. Em seus valores, paradigmas e preconceitos que impulsionam ou impedem o seu desenvolvimento.

E não é nada fácil em uma sociedade com tantas restrições, contornar este pequeno detalhe, a discriminação “velada” da idade cronológica.

Depende essencialmente da determinação e persistência dos indivíduos.

E este é para mim, o grande entrave. Temos que começar do primeiro passo. Da primeira iniciativa. E as pessoas, na maioria das vezes, preferem se acomodar a ter que se dedicar a um processo permanente de melhoria e desenvolvimento. Isso exige muito esforço e energia e parece muito difícil de se alcançar.

Felizmente há uma esperança, mesmo que modesta, pois, ser produtivo e útil à sociedade é um valor intrínseco das pessoas que não querem se tornar um “peso” para aqueles com quem convive.

Dessa forma há algumas competências e comportamentos que podem ser desenvolvidos como: Foco – definição clara de suas competências e objetivos de vida;Educação continuada – busca permanente pelo auto desenvolvimento, treinamento incessante;Disciplina – persistência no atingimento dos objetivos;Solucionador de problemas – iniciativas que resolvam os conflitos;Obsessão por excelência – qualidade como valor intrínseco;Inovador – aberto a mudanças;Auto Motivado – profunda fé naquilo que faz, independente do contexto;Auto Estima – confiança em seu potencial e em si próprio;Habilidade de se vender – capacidade de demonstrar em que e como está contribuindo com os objetivos planejados;Ética e Comprometimento social – exercício da cidadania.

Teremos que nos reciclar permanentemente se quisermos assegurar nosso espaço profissional independente de sexo, religião, raça ou idade.

E de nada adianta lastimar, “não funciona”, “não vai dar certo”, “não consigo”.

Temos que recomeçar. Rever a profissão e a carreira. Aprender informática, reaprender a ler e a estudar. Aprender idiomas, ainda que o processo seja lento. Fazer outro curso, e tudo o mais que for considerado impossível.

Cuidar da aparência, fazer plástica, lipoaspiração, ginástica, pintar o cabelo, mesmo que seja do sexo masculino.

E começar de novo, de novo e de novo. Até que todos compreendam, que apesar da idade, de alguns cabelos brancos, algumas rugas, somos capazes e temos um potencial imensurável. Há vigor e energia para se produzir mais e mais.

Vá atrás de novas metas. Peça ajuda. Acredite em oportunidades impossíveis. Tenha coragem. Não se intimide. Torne-se “desavergonhado”.

O caminho é árduo, mas é o único meio de se reverter o processo e atingir objetivos.

Lembre-se, a carreira pertence ao profissional. Acabou o paternalismo empresarial. O mercado agora dá preferência a profissionais com múltiplas habilidades e iniciativas. Ser um empregado dedicado e fiel, não garante mais o emprego.

E como diz o escritor Harold kushner, 

 “Você somente é feliz vivendo uma vida que signifique alguma coisa”. 
 
Maria Lúcia Rodrigues Corrêa

Professora, Psicóloga, Consultora Organizacional.